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Textos
 Imagem: Orfeu rodeado de animais - Museu Bizantino Cristão de Atenas Música: Minuto 9 - Mozart
A MÚSICA DA VIDA
A vida é uma dança continua ao som da música do Universo. A música do Universo é eterna, não desafina e o seu ritmo depende da hora, do dia e dos bailarinos que estão na pista. A música do Universo, aqui na terra, é cantada pela natureza.
A água, o ar, a terra e o fogo são os grandes maestros a reger essa importante orquestra. A orquestra da natureza é perfeita, quem erra os passos são os bailarinos.
A terra é o suporte das pistas iluminadas e aquecidas pela luz do sol onde se dançam a música da vida.
Somos introduzidos nessa grande pista de dança pelos nossos pais. Dançamos a primeira música no aconchego do colo de nossas mães. Nesse instante, nós somos ela, e ela, a rainha da vida.
A primeira e a última música da vida são inaudíveis aos ouvidos dos bailarinos que adentram e que deixam as pistas. Quem ouve e quem dança essas duas músicas são os nossos pais alegres e nossos filhos tristes.
Aprender a música da vida significa renunciar as fantasias da infância. Aliás, renuncia ou substituição... A criança tem o direito de crescer e o adulto o dever de não deixar a criança, que existe dentro dele, morrer.
A pista é infinita, o salão é colorido e a música tem as dimensões dos sonhos na juventude. Nessa fase, a música e os sonhos se fundem. Dançar, sonhar e viver embriaga a alma e gera uma ponta de incerteza. A incerteza diminui à medida que acertamos os passos e que a música é entendida assim como ela é, não como gostaríamos que fosse.
A mais alta, a mais estridente e mais longa música, dançamos na vida adulta. Nessa época a indumentária predominante é o uniforme de labor, embora, o traje de gala também se faz presente. A música se confunde com o trabalho e acelera a sensação do tempo. Abandonar as fantasias e os sonhos é reconhecer parcialmente a música da época e fugir do ritmo certo.
O errado não é perder o passo correto, o errado é ter medo de dançar. As quedas fazem parte da dança. Não é feio cair quando menos se espera. O belo é saber se levantar com galhardia e continuar dançando sem perder o ritmo. Dançar a música da vida não é apenas se exibir nessa enorme pista, sim, se comportar como um sábio bailarino.
A incomensurável beleza é que a orquestra da música da vida toca eternamente e, a pista onde se dança essa música, nunca está abarrotada e nem mesmo vazia. O grande segredo é que os velhos cansam e, silenciosamente, se retiram de cena para que novos e barulhentos bailarinos possam dançar a MÚSICA DA VIDA.
Texto registrado na Biblioteca Nacional |
Roberto Pelegrino |
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